Francis Bacon
Pelas novas ciências, uma alternativa à filosofia da velha guarda
Caro leitor
De toda a história da filosofia, Francis Bacon foi o mais influente dos filósofos que não tiveram influência nenhuma. Esta afirmação de ar paradoxal resulta de Bacon ter sido um divisor de águas. Aqueles filósofos naturais que se deixaram influenciar pelas suas perspectivas acerca da maneira correcta de estudar a natureza tornaram-se o que hoje conhecemos como “cientistas” — palavra que surge só no século XIX. Os outros, que em grande medida o ignoraram, continuaram usar os velhos métodos da filosofia: com base apenas em conceitos e na experiência quotidiana, tentavam elaborar imaginativas doutrinas filosóficas sobre a totalidade da realidade.
Temos na Crítica dois artigos sobre este filósofo visionário: Robert E. Butts faz uma breve síntese de alguns dos pontos da sua vida e obra; já J. R. Milton pinta um quadro mais detalhado. Juntos, ajudam a recuperar uma figura que está tipicamente ausente das histórias da filosofia — ou à qual se dedica apenas breves parágrafos.
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Num tempo em que o negacionismo científico volta a ganhar espaço, desde teorias anti-vacinas até à desconfiança sistemática na evidência em países como os EUA, vale a pena recordar Francis Bacon ao defender que o conhecimento devia nascer da observação, da experiência e do método, e não de crenças infundadas ou preconceitos. A sua visão ajudou a lançar as bases da ciência moderna, precisamente porque colocou os factos acima da mera opinião. Num século XXI marcado pela desinformação, pelas "fake news", e pelo ressurgimento do totalitarismo, o seu legado continua não só actual, mas crucial para o desenvolvimento da humanidade. Obrigado Prof. Desidério Murcho por não baixar os braços, na divulgação do pensamento de todos aqueles, que ao longo do tempo, ajudaram a construir uma sociedade mais inquieta, mais critica e consequentemente mais saudável em todos os âmbitos!